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água

A mais nova mania dos endinheirados do Vale do Silício é tomar água bruta. Você não leu errado, os ricaços do principal centro de tecnologia e inovação do mundo estão gastando pequenas fortunas para se embebedarem de água retirada diretamente da fonte sem tratamento, filtragem ou esterilização. Que delícia!

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A novidade ganhou as manchetes no final de dezembro depois que a New York Times publicou a história sobre a “raw water”, água bruta ou crua em tradução livre, que não é nada mais que água suja.

Vendida em chamativas esferas de vidro, a Live Water, uma das pequenas companhias comercializando água bruta, cobra US$ 37 (cerca de R$ 120 na cotação atual) por um novo galão de aproximadamente 10 litros do líquido, ou US$ 15 (cerca de R$ 50 na cotação atual) pelo refil.

Não bastasse o preço exorbitante para consumir água suja, o produto ainda ignora uma propriedade básica da água. Se você se lembra das aulas de ciência do ensino fundamental, a água não deve ter cor, gosto e cheiro, e a água da Live Water parece não fazer o requisito de pelo menos uma destas propriedades, como explica Kevin Freeman, um gerente na loja da Live Water: “Ela tem uma leve sabor adocicado, mas nada que sobrecarregue o paladar”. Primeiro, quem é que bebe água pelo sabor? Segundo, eca!

A Live Water não é a única a vender a maluquice. A Liquid Eden, em San Diego, vende uma variedade de “sabores” de água, como a sem flúor, a sem cloro e a com eletrólitos alcalinos minerais.

Cada galão (aproximadamente 3,8 litros) da Liquid Eden custa US$ 2,50 e são vendidos cerca de 900 galões por dia, de acordo com Trisha Kuhlmey, dona da Liquid Eden. Ela diz ainda que as vendas dobram a cada ano conforme o conscientização do movimento a favor da água bruta aumenta.

A favor da água bruta

O movimento é motivado pela convicção que a água bruta possui qualidades probióticas que são eliminadas durante os tratamentos da água filtrada. E a doideira não para aí: o criador da Live Water, Mukhande Singh, acredita que a água da torneira pode ser contaminada por chumbo, flúor e químicos presentes em métodos contraceptivos.

“Água de torneira? Você está bebendo água de privada com anticoncepcional”, disse Mukhande ao New York Times. Ele continua, explicando que a água de torneira contém cloro e flúor, o que ele classifica de uma maneira um tanto… distinta: “Pode me chamar de teorista da conspiração, mas [flúor] é uma droga de controle da mente que não dá nenhum benefício a nossa saúde bucal”.

Mukhande Singh, criador da Live Water, com o galão de vidro que usa para vender a Live Water (esquerda) e em uma das fontes do produto (direita). (Créditos: Live Water/Facebook)

Singh diz também que você até pode filtrar a água na sua própria casa com um simples filtro de osmose reversa, mas isso deixaria a água “morta”. “Você tiraria 99% das coisas ruins”, diz. “Mas terminaria com uma água morta”.

A água viva, no entanto, tem validade. “Ela se mantém fresca por um ciclo lunar depois da entrega”, diz Singh. Mas se a água não for consumida dentro deste tempo, ela fica verde. “As pessoas não percebem isso porque a água deles já está morta, então ela nunca fica verde”, explica.

Perigo iminente

Não que fosse necessário, mas especialistas alertam que água imprópria para o consumo pode acarretar nas mais diversas doenças, muitas das quais já foram praticamente extintas graças a tratamentos e filtragens.

Então, se você não conhece ninguém que morreu de cólera, giardíase ou hepatite A, é graças ao tratamento de água presente na sua cidade. Água não tratada e não filtrada pode ainda conter fezes de animais e o parasita giárdia, que causam vômito e diarreia e resultam em diversas hospitalizações.

Bill Marler, especialista em segurança alimentar, disse ao Business Insider que achava estar lendo uma das sátiras do The Onion quando leu a matéria do New York Times. “Praticamente tudo que pode te deixar doente pode ser encontrado na água”, disse.

Tudo é muito lindo e saudável até alguém morrer de cólera. Teremos que esperar para ver se será preciso chegar a este ponto para que essa mania suma de uma vez.

Imagem de topo: Live Water/Facebook

[New York TimesBusiness Insider]




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