Gizmodo



negócios

A Broadcom, fabricante de chips baseada em Singapura, fez uma proposta de US$ 117 bilhões para adquirir a rival americana Qualcomm. Seria a maior aquisição da história na tecnologia. Porém, a negociação foi embargada pela Casa Branca nesta segunda-feira (12), com alegações de que haveriam riscos à segurança nacional dos Estados Unidos.

• Os detalhes da fábrica de semicondutores da Qualcomm no Brasil, que deve ficar pronta em 2020
• O 5G está chegando e os testes já devem começar no início de 2019

Em um comunicado enviado à CNBC, a Casa Branca escreveu em nome do presidente Donald Trump: “Existe evidência crível que me leva a crer que a Broadcom Limited, uma companhia limitada organizada sob as leis de Singapura […] ao exercer o controle da Qualcomm Incorporated, uma corporação da Delaware, poderá tomar medidas que ameaçam prejudicar a segurança nacional dos Estados Unidos.”

Trump enviou uma ordem exigindo que ambas companhias “abandonem imediatamente a proposta de negócio”, além de proibir que candidatos propostos pela Broadcom concorram a cargos do conselho da Qualcomm.

O Wall Street Journal noticia que a iniciativa foi provavelmente motivada por descobertas do Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS), que analisa negócios envolvendo empresas estrangeiras e avalia possíveis riscos à segurança nacional nestes casos.

O CFIUS alertou que a Broadcom desrespeitou uma de suas ordens: notificá-los antes de tomar quaisquer decisões sobre a realocação de sua sede para os EUA, uma medida que a empresa considerava justamente na tentativa de apaziguar preocupações sobre possíveis efeitos à segurança nacional do país.

Há um outro elemento irônico na história: o próprio Trump já foi a um evento com o CEO da Broadcom, Hock Tan, e anunciou que a empresa planejava mudar sua sede para os EUA. Trump elogiou o status da empresa na Fortune 100, disse que a mudança fazia parte de um padrão de retomada de empregos nos EUA sob seu mandato e ficou contente quando Tan afirmou que a mudança de sede levaria US$ 20 bilhões em receita para os EUA.

Segundo o Journal, o CFIUS está preocupado com a possibilidade da Broadcom cortar a divisão de pesquisa e desenvolvimento da Qualcomm, o que poderia deixar empresas americanas para trás no desenvolvimento de tecnologias emergentes como o 5G. Aparentemente, as preocupações se concentram em grande parte em torno da China.

“Dadas as conhecidas preocupações em relação a segurança nacional dos EUA sobre a Huawei e outras empresas de telecomunicações chinesas, um domínio chinês no 5G causaria consequências negativas substanciais para a segurança nacional dos Estados Unidos”, informou um funcionário do CFIUS para as duas empresas, relata o Journal.

A Broadcom obviamente não está contente com tudo isso. Em um comunicado liberado para o Dan Primack da Axios, a empresa disse que vai “analisar” a ordem, o que parece ser um prelúdio para uma resposta legal.

[CNBC/Wall Street Journal]

Foto do topo: Donald Trump e o CEO da Broadcom Hock Tan na Casa Branca em novembro de 2017. Crédito: AP




VOLTAR AO TOPO