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criptomoedas

O “bloco de gênese” da Bitcoin — o primeiro conjunto de transações do token digital — foi minerado há exatos nove anos, em 3 de janeiro de 2009. A recompensa pela computação do bloco está listada em 50 bitcoins, que, nos valores de hoje, valem aproximadamente US$ 670 mil (cerca de R$ 2,17 milhões na cotação atual).

Adotada inicialmente por “tecnolibertários” com a intenção de construir um sistema de pagamento sem a necessidade de confiança entre as partes que contornasse o controle regulatório feito por governos, a Bitcoin segue com uma definição própria aberta a debate. Seja ela uma “reserva de valor” parecida com o ouro, uma alternativa digital ao dinheiro, um tipo de segurança ou qualquer outra coisa, isso depende completamente de quem está falando e o que essa pessoa está tentando te vender.

Da mesma forma, a Bitcoin — e o criptoespaço em geral — é hoje menos uma ferramenta ideológica para escapar do sistema financeiro existente e mais uma aposta secundária para os ricos. Cameron Winklevoss e Tyler Winklevoss, famosos por processarem o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, alegam ter mais de US$ 1 bilhão em bitcoins; Peter Thiel, investidor de longa data do Facebook, conselheiro de Trump e financiador “secreto” da ação judicial que destruiu a Gawker, também teria investido pesado em Bitcoin, por meio de seu Founders Fund (uma outra razão cada vez mais popular para se envolver com criptomoedas é defraudar investidores).

Na maior parte desses nove anos da Bitcoin, ela foi vista ou como quase completamente sem valor — em 2010, dez mil bitcoins foram notoriamente trocados por duas pizzas — ou como um meio mais seguro de comprar substâncias ilícitas ou serviços por meio de mercados online obscuros como Silk Road, Hansa ou Alphabay, todos fechados desde então.

Os capitalistas de risco e o hype midiático ajudaram a levar a Bitcoin a uma alta insustentável no ano passado, em aproximadamente US$ 20 mil (R$ 64,7 mil na cotação atual) por moeda. Mas as constantes lutas internas sobre o futuro do token digital mais valioso e o fato de que instituições financeiras tradicionais começaram a mexer seus pauzinhos regulatórios colocar a Bitcoin em queda livre desde a metade de dezembro. Embora ainda muito distantes, alguns dos concorrentes da Bitcoin, como Bitcoin Cash e Ethereum, estão encurtando a distância rapidamente em meio à pressa atual de maximizar seus lucros sem fazer papel de trouxa.

Depois de nove anos, ninguém poderia ter previsto o que a Bitcoin se tornaria, embora muitos tenham tentado e falhado. Isso pode perfeitamente ser muito risível daqui a alguns anos também. Mas o legado da Bitcoin em seu estado atual é de uma mistura de tecnologia complicada e maquinaria financeira nas mãos de várias pessoas que não a entendem, muitas das quais vão perder muito dinheiro. Se isso vale como “alcançar os objetivos pretendidos com a Bitcoin”, talvez nunca saberemos: o fundador da Bitcoin desapareceu há anos sem deixar vestígios.

Imagem do topo: AP




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