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Você se lembra do carrapato cuja picada causa alergia à carne vermelha em humanos? Já faz um tempinho que o noticiamos, mas ele continua na ativa e está, inclusive, se espalhando cada vez mais.

Em 2014, mostramos que uma espécie de carrapato, a Amblyomma americanum – ou carrapato Lone Star – era a possível responsável por causar alergias em pessoas que consumiam carne vermelha: horas ou dias depois de consumir a carne, o indivíduo picado começaria a sofrer reações alérgicas por todo o corpo.

Por que temos alergias?
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Como explicou a NBC New York, isso acontece porque estes carrapatos carregam um açúcar chamado alfa-galactose, que humanos não possuem. Apesar de ser encontrado em carnes vermelhas, esse açúcar é digerido sem problemas por nosso sistema digestivo quando presente em alimentos.

Entretanto, a picada do artrópode descandeia uma resposta do sistema imunológico humano que reconhece o açúcar alfa-galactose como uma substancia estranha e passa a produzir anticorpos para eliminá-la, além de preparar o corpo para a próxima vez que o individuo consumir carne vermelha e detectar o alfa-galactose.

Ou seja, uma picada do inseto pode reprogramar o nosso sistema imunológico para rejeitar qualquer pedacinho de carne vermelha para todo o sempre.

Expansão

A princípio, a alergia à carne vermelha estava ligado ao carrapato Lone Star pois esta espécie era encontrada apenas em locais onde o artropode mantem habitat, como a região sul dos EUA.

Agora, novos casos foram registrados em Duluth, no estado de Minnessota, Hanover, no estado de New Hampshire, e na região leste de Long Island, no estado de Nova York, onde pelo menos 100 casos foram registrados somente no ano passado, de acordo com informações da Wired.

Cientistas correm contra o tempo para determinar se o carrapato Lone Star está se espalhando pelo país, ou se outras espécies também são responsáveis pela alergia.

Thomas Platts-Mills, um imunologista, descobriu a ligação entre o açúcar alfa-galactose e a picada do carrapato em 2004, quando socorreu um grupo de pacientes sofrendo com os sintomas. Mas ao invés de terem consumidor carne, eles haviam consumido um medicamento contra o câncer chamado cetuximab – que, para surpresa de ninguém, é repleto do açúcar em sua composição química. Assim, foi feita a ligação entre a alergia, o açúcar e o carrapato transmissor.

Nos anos seguintes, Platts-Mills avaliou outros pacientes alérgicos à carne vermelha e descobriu que 80% deles haviam sido mordidos pelo Lone Star.

Uma pesquisa liderada por Scott Commins, colega do imunologista, vem injetando ratos com extratos do carrapato para entender quais moléculas ativam a reação contra o açúcar – mas é um estudo complicado, já que a saliva do inseto é repleta de compostos bioativos que ajudam o artrópode a se alimentar sem ser detectado.

Suspeita-se que um composto análogo da alfa-galactose possa ser o responsável por ativar o sistema imunológico humano, mas também há quem acredite que resíduos proteicos de refeições anteriores do carrapato possam causar o desencadeamento alérgico.

Ninguém está a salvo

(Créditos: Elizabeth Nicodemus/Flickr)

Mas o que realmente chama a atenção desta alergia é que ela é uma das únicas que pode afetar qualquer tipo de pessoa, independente da sua construção genética.

Jeff Wilson, membro do grupo de estudos de Platts-Mills, explica que alergias são geralmente criadas pela combinação de fatores ambientais e genéticos, mas este não é o caso da alergia causada pelo carrapato Lone Star. “Apenas algumas picadas podem tornar alguém muito, muito alérgico”, explica o imunologista ao Wired.

No momento, os três pesquisadores tentam avaliar quão grande é o problema para a saúde pública, construindo o primeiro mapa de alergia à carne vermelha dos EUA, já que centros de saúde não são orientados a reportar casos deste tipo de alergia. Inclusive, por ser um problema tão raro, médicos costumam oferecer diagnósticos incorretos aos pacientes com o distúrbio.

Além de reportar os casos corretamente, eles também buscam por amostras de sangue dos pacientes alérgicos para saber se a expansão da doença é um resultado de mutações ou se o carrapato é capaz de reescrever o sistema imunológico humano. Respostas para estas questões nos ajudariam a entender o problema e assim buscar uma solução.

[Wired]

Imagem de topo: Lisa Zins/Flickr




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