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Desde novembro do ano passado, o Facebook segue em uma missão para eliminar a disseminação de desinformação, depois de relatos começarem a jogar luz sobre o papel da rede social nas eleições dos Estados Unidos. Mas os verificadores de fatos que a empresa contratou parecem não ter muita fé no plano da gigante de tecnologia para consertar a bagunça que criou.

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, inicialmente alegou que sua empresa não tinha impacto algum na eleição presidencial, dizendo, em novembro do ano passado, que “a ideia de que notícias falsas no Facebook… influenciaram a eleição de qualquer forma é uma ideia bastante maluca”. Mas a empresa, ainda assim, começou a agir para desacelerar o crescimento de desinformação, firmando parceria com várias organizações de notícias e verificação de fatos, incluindo Associated Press, Politifacts e Snopes, sinalizando notícias falsas e altamente desconfiáveis.

Conforme o Facebook revelou sobre seus esforços coordenados para investigar trolls apoiados pelo governo russo e anúncios comprados por agentes russos no Facebook, incluindo a crença de que 126 milhões de americanos viram propagandas colocadas por russos durante as eleições, Zuckerberg disse ter se arrependido de seus comentários desdenhosos.

E conforme estamos sabendo mais do verdadeiro escopo das campanhas de desinformação na rede social, está ficando também cada vez mais claro que os esforços da empresa para impedir tais campanhas, agora e durante futuras eleições, não estão indo tão bem.

No mês passado, verificadores de fatos começaram a falar sobre sua decepção com a falta de dados oferecidos sobre o impacto de seu trabalho. Agora, eles também estão dizendo que o esforço é basicamente uma farsa, de acordo com uma nova reportagem so jornal inglês The Guardian.

“Não sinto que está funcionando nem um pouco. A informação falsa ainda está viralizando e se espalhando rapidamente”, um repórter contou ao Guardian. “É muito difícil responsabilizar o Facebook. Eles pensam na gente como fazendo o trabalho por eles. Eles têm um grande problema e estão se escorando em outras organizações para limpar a própria bagunça”.

Guardian não revelou os nomes de algumas das fontes porque esses verificadores de fatos terceirizados não foram autorizados pelo Facebook para falar publicamente sobre o assunto. Mas vários deles contaram ao veículo que os esforços têm sido, em sua maioria, um fracasso. E, aparentemente, eles acreditam que a empresa os explorou como parte de uma campanha publicitária.

Além disso, os repórteres entrevistados para a matéria disseram que suas parcerias profissionais com o Facebook atravancaram sua capacidade de relatar as histórias que dizem respeito ao papel da rede social nas campanhas de desinformação que afetaram as eleições norte-americanas. “Eles estão basicamente comprando uma boa imagem pública ao nos pagar”, disse uma fonte.

Os entrevistados criam dúvidas sobre o verdadeiro impacto que verificadores de fatos terceirizados como eles podem realmente ter. “Eles deveriam estar contratando exércitos de moderadores e seus próprios verificadores de fatos”, um deles disse. “A relação que eles têm com as comunidades de verificações de fatos é muito pequena e tardia.”

O diretor executivo da Politifacts, Aaron Sharockman, disse ao Guardian que alguns dos verificadores estavam decepcionados porque, uma vez que os artigos eram derrubados, os propagadores de desinformação podiam facilmente republicar o mesmo conteúdo ou informação em outros sites e URLs.

Os verificadores que conversaram com o Guardian reforçaram reclamações prévias sobre a falta de transparência do Facebook sobre o impacto de seu trabalho. “Estamos meio que no escuro. Não sabemos o que está de fato acontecendo”, disse Alexios Mantzarlis, diretor da Poynter’s International Fact-Checking Network, ao Guardian. Mantzarlis, cujo grupo ajuda o Facebook a escalar verificadores de fato terceirizados, acrescentou: “O nível de informação que está sendo entregue é completamente insuficiente… Esse é, potencialmente, o maior experimento de vida real de enfrentamento de desinformação na história. Poderíamos estar recebendo uma quantidade enorme de informação e dados.”

Um porta-voz do Facebook contou ao Guardian que as impressões do artigo caem em 80% depois de serem sinalizados. “Nosso trabalho com verificadores de fato terceirizados não é apenas para educar as pessoas sobre o que foi debatido, ele também nos ajuda a entender melhor o que pode ser falso, mostrando menos vezes no feed de notícias.” O Facebook não respondeu ao pedido de entrevista do Gizmodo.

[The Guardian]

Imagem do topo: Getty




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