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Orion é a Beyoncé das constelações. Basicamente todo mundo já ouviu falar dela ou a viu. É difícil não gostar dela. E se você passar um tempo estudando seu comportamento e seu significado, só vai gostar ainda mais de suas complexidades.

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Portanto, existe razão o bastante para ficar empolgado com essa nova imagem da maior e mais brilhante estrela de Orion, a Betelgeuse, tirada pelo telescópio Atacama Large Millimeter Array (ALMA) no norte do Chile. Não apenas essa é uma das imagens mais nítidas de uma superfície estelar já feita, mas ela também pode dizer muito aos cientistas sobre o futuro dessa grande estrela.

“Essa é uma estrela grande que se tornará uma supernova um dia”, contou ao Gizmodo o autor do estudo e astrônomo Iain McDonald, da Universidade de Manchester. “Mas não sabemos quando, não sabemos como e não sabemos quanto material ela vai perder antes disso.”

A Betelgeuse é uma gigante vermelha, mas gigante não é nem suficiente para descrevê-la — seu raio é 1.200 vezes o raio do Sol, maior que a distância entre o Sol e Júpiter. Mas ela está perdendo massa, e cientistas querem saber por que e como essa perda de massa vai impactar o desaparecimento final da estrela. Então eles registraram essa imagem de suas emissões de microondas em 9 de novembro de 2015, usando o conjunto de antenas parabólicas do telescópio ALMA .

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A Betelgeuse comparada às órbitas dos planetas de nosso Sistema Solar (Imagem: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/E. O’Gorman/P. Kervella)

McDonald apontou que normalmente se esperaria que as estrelas fossem esféricas, mas, nessa imagem, há uma protuberância saindo pelo lado esquerdo da superfície da estrela, assim como pontos de brilho, diferenças de temperatura na superfície. “Vemos regiões localizadas de calor acontecendo na atmosfera”, disse ao Gizmodo o primeiro autor do estudo, Eamon O’Gorman, do Dublin Institute for Advanced Studies. “Achamos que fenômenos parecidos acontecendo no Sol estão acontecendo também na Betelgeuse”, o que é surpreendente, pelo fato de quão diferentes as duas estrelas são.

Isso confirma alguma das observações anteriores da estrela tiradas com outros telescópicos e pode ser de convecção empurrando materiais para cima, meio que da maneira como a água se move quando você a ferve. E tem mais de onde veio isso; essa é certamente a melhor imagem de uma estrela já tirada pelo novo e avançado ALMA, mas o telescópio vai em breve observar outras estrelas também.

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Betelgeuse em Orion, uma imagem antiga da Betelgeuse e a última melhor foto já tirada da estrela, pelo Very Large Telescope (Imagem: ESO, P.Kervella, Digitalizada por Sky Survey 2 e A. Fujii)

Entender essas irregularidades e como a Betelgeuse perde massa poderia, em última instância, ajudar os cientistas a preverem o destino da estrela. Supernovas são responsáveis por muitos dos elementos mais pesados da tabela periódica, mas quais elementos específicos podem vir da explosão da Betelgeuse poderiam depender da perda de massa acontecendo no meio-tempo.

“Se você explodi-la cedo, você pode acabar com ferro, níquel e ouro, prata”, disse McDonald. “Mas se você explodi-la tarde, pode criar outras coisas, como chumbo, bário, carbono ou oxigênio.”

Por fim, estudar a Betelgeuse pode nos ajudar a desenvolver um cenário melhor de como nós e todos os elementos que nos compõem chegamos até aqui.

“Queremos entender como o processo (da produção de elementos) funciona em estrelas que já se foram há muito tempo”, disse McDonald, “já que são essas estrelas que nos permitem saber como os elementos de que somos feitos foram feitos.”

 

[arXiv via Dublin Institute for Advanced Studies]

Imagem do topo: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/E. O’Gorman/P. Kervella




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