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A polícia do País de Gales conseguiu prender e condenar um traficante ao identificar a sua impressão digital a partir de uma foto compartilhada pelo WhatsApp. As autoridades consideram que a técnica utilizada é “revolucionária”, conforme aponta a reportagem da BBC.

O departamento de polícia do sul do País de Gales obteve a foto, que mostra a mão de um homem segurando ecstasy, depois de apreender um celular de uma pessoa presa da região de Bridgend. A polícia identificou as impressões digitais a partir da fotografia e então as combinou com um suposto traficante. No total, foram feitas 11 sentenças associadas com o caso.

Dave Thomas, membro da polícia de Gales do Sul, disse à BBC que a técnica é uma versão moderna da ciência forense da análise de impressões digitais – também chamada de papiloscopia. “Esses caras [traficantes] estão utilizando a tecnologia para não serem pegos e precisamos continuar com avanços na área”.

Esse método não é tão novo quanto a polícia do País de Gales quer sugerir. De acordo com a reportagem, eles não conseguiram combinar a impressão digital a partir da base de dados nacional. Em vez disso, outras provas ajudaram a chegar no criminoso – entre elas, diversos indícios nas conversas do WhatsApp.

Foto utilizada pela polícia para analisar digitais. Crédito: South Wales Police via BBC

É um pouco preocupante que uma foto da impressão digital tenha sido utilizada. Thomas admitiu à BBC que a foto revelava apenas o meio e o final da impressão digital do traficante (a base de dados nacional do Reino Unido armazena apenas o topo da digital). Ele disse também que “a escala e qualidade da fotografia se provou um desafio”, mas a polícia considerou a evidência suficiente para identificar o criminoso.

Até mesmo digitais limpas e completas não são indicadoras perfeitas quanto parecem ser. De acordo com a PBS e a Academia Nacional de Ciências, nunca existiu um estudo científico analisado por pares que prova que cada impressão digital de uma pessoa é única.

Elliott Morris (centro) comandava operação com seu pai Darren e sua mãe Dominique. Crédito: South Wales Police via BBC

Organizações de ciência forense pedem a especialistas que não usem termos como “única” ou “individualizada” para descrever impressões digitais, e a Associação Internacional de Identificação diz aos seus membros para “não afirmar 100% de infalibilidade(taxa de erro zero) ao abordar a confiabilidade das comparações de impressões digitais”.

Pesquisas adicionais descobriram que vieses contextuais, incluindo informações já conhecidas sobre o caso, podem influenciar papiloscopistas e levar a falsas conclusões. Um estudo de 2011 pediu para que 169 papiloscopistas analisassem algumas dúzias de impressões digitais. Como resultado, o estudo indicou que 3% dos examinadores cometeram erros do tipo falso positivo e 85% retornaram um falso negativo durante a pesquisa.

Em vez de agir com cautela, a polícia do sul de Gales manifestou interesse em seguir na direção oposta e acelerar o processo legal com a ajuda da tecnologia.

“Queremos estar em uma posição onde haja um roubo às 20h30 e possamos verificar as evidências para que às 20h45 estejamos esperando na porta do infrator para prendê-lo chegando em sua casa”, disse Thomas à BBC. “Isso funcionará por meio de transmissão remota, digitalizando evidências no local e enviando dados de volta rapidamente para a verificação”.

Se uma imagem parcial de uma impressão digital obtida em uma foto de baixa resolução é o suficiente para realizar uma prisão, haverá alguns tribunais bem cheios no País de Gales.

[BBC]

Imagem do topo: Getty




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