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De cara, é possível dizer que a Samsung tem o portfólio sólido de vestíveis. Tem desde pulseiras de monitoramento a smartwatches, com lançamentos constantes nessas categorias de produto. A gente passou os últimos dias testando o último lançamento da empresa, apresentado no fim do ano passado, o Samsung Gear Sport.

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Ainda que seja uma categoria em desenvolvimento e geralmente voltada para early adopters, o dispositivo traz funções bem interessantes para quem quer medir atividades físicas. Caso você procure alguma solução do tipo, é um produto que deve estar em seu radar.

Especificações do Gear Sport

Processador: dual-core de 1 GHz;
Tela: 1,3 polegada SuperAMOLED;
Armazenamento: 4 GB (1,5 GB é a memória livre);
Memória RAM: 0,75 GB;
Sistema operacional: Tizen;
Compatibilidade: aparelhos Android e iOS;
Conexões: Bluetooth 4.2, Wi-Fi;
Sensores: GPS, barômetro, acelerômetro, sensor de batimento cardíaco, giroscópio e sensor de luz;
Dimensões: 44,6 x 42,9 x 11,6 mm
;
Peso: 50 gramas;
Bateria: 300 mAh.

Usando

O Gear Sport é 100% Samsung. Digo isso, pois tem processador feito pela empresa e sistema próprio, o Tizen. Na prática, isso quer dizer que o Gear Sport funciona com todos smartphones, seja ele iOS ou Androids que não sejam da Samsung.

Testei o relógio com um Google Pixel 2 e foi super rápido o pareamento. Após instalar o Samsung Gear e ativar o Bluetooth no telefone, ele rapidamente reconheceu o vestível.

O smartwatch conta com dois botões (um de home e outro voltar), uma tela touchscreen de 1,2 polegada SuperAmoled e uma coroa. Devo admitir que este recurso, já presente em outros relógios, junto com a tela redonda conferem ao aparelho uma pinta de “relógio” mesmo, e não um dispositivo comunicador dos Power Ranger.

Por outro lado, havia uma questão de tamanho — ele tem 44,6 mm x 42,9 mm x 11,6 mm (A x L x P) . Mesmo eu sendo homem e com o braço fino, o aparelho ficava muito grande no meu pulso. Não chegou a me incomodar, mas as pessoas logo comentavam do relógio. Outro ponto é que não existe uma versão feminina, o que talvez impeça mulheres de usarem o smartwatch em ambientes mais casuais.

Por ter um GPS próprio, o Gear Sport consegue dar detalhes do trajeto percorrido durante uma corrida

Consegui uma autonomia de dois dias completos de uso só no Bluetooth — sem muito uso do smartwatch, pode chegar a três dias. O consumo de bateria fica maior ao habilitar o Wi-Fi. Porém, convenhamos, você só vai precisar se conectar via Wi-Fi para fazer login em um ou outro aplicativo. Sobre o tempo de carregamento, o gadget levou cerca de 90 minutos para ir de 10% a 100%.

Como todo relógio da categoria, ele mostra notificações e permite interagir em alguns casos. Consegui, por exemplo, ler alguns e-mails curtos, responder mensagens no WhatsApp (ele dá algumas sugestões de respostas e o usuário pode inserir outras) e ainda responder mensagens usando o S-Voice — não é das tarefas mais rápidas, pois ele demora um pouco para converter a fala em texto, mas dá para o gasto.

Interface amigável + alguns perrengues

A interface é super simples de usar. Para navegar, pode usar tanto a coroa como toques na tela para os lados ou para cima ou para baixo. Ainda que o sistema mostre um tutorial assim que você configura o relógio pela primeira vez, o funcionamento é bem intuitivo.

Como tudo é da Samsung, o smartwatch conta basicamente com apps nativos e o Samsung Health funciona como centralizador das informações. A loja de apps para o Gear conta com algumas opções. Aparentemente, a Samsung se preocupou em ter poucos, mas importantes itens.

É possível por exemplo usar o MyFitnessPal e o MapMyRun, todos da Under Armour. O primeiro ajuda a ver o objetivo de calorias a ser consumida no dia, enquanto o segundo monitora uma corrida usando o GPS.

Uma opção que falta para o smartwatch é o Strava, famoso entre pessoas que gostam de monitorar seus passeios de bicicleta. No entanto, isso é parcialmente contornado com o compartilhamento de informações com o Samsung Health — por ora, o Strava diz não ter planos de oferecer suporte específico ao smartwatch.

Interface do app Samsung Health que mostra status de atividades físicas, do smartwatch e dados de sono

Outro app importante é o Spotify. O dispositivo da Samsung é um dos únicos vestíveis que permite tocar músicas do serviço de streaming no modo offline. E na prática? É fácil usar?

Depois que pega o macete, sim. A primeira questão foi configurar o relógio para funcionar no Wi-Fi. Eu digitava a senha e não ia — mesmo digitando a senha correta, o botão ok não era habilitado. Aí depois de alguma insistência, apertei o botão ok (mesmo sem estar habilitado), foi para uma tela e apareceu o botão conectar. Rolou!

Depois fui até o app do Spotify (é necessário instalá-lo via Samsung Gear) no smartwatch. Aí fui fazer login. Sou acostumado a logar pelo Facebook, mas não deu certo. Aparecia “Unable to connect”. Aí lembrei do meu login e senha para acesso direito ao Spotify. Digitei e rolou. Aí ficou fácil: baixei uma playlist, pareei um fone Bluetooth e deu certo. Mas tudo isso demorou uns 20 minutos — imagine que legal é digitar um e-mail completo em um teclado numérico minúsculo. Pelo menos isso só precisa fazer uma vez.

Fazer login no Spotify usando esse teclado do smartwatch não foi das coisas mais fáceis de se fazer

No fim, foi só parear o fone Bluetooth e sair correndo ouvindo a playlist.

Se exercitando e dormindo

Não sou das pessoas que mais praticam atividade física, mas o Gear Sport tenta dar uma força para que o usuário se movimente. Então, quando ele detectava que eu ficava muito tempo parado, logo ele pedia para eu me movimentar ou sugeria alongamentos — parece bobo, mas este tipo de notificação, pelo menos para mim, foi positiva.

Para quem é do riscado, ele conta com vários modos de exercício pré-configurados. Além de corrida, caminhada, natação (sim, ele é à prova d’água), o sistema permite medir especificamente corrida em esteira, agachamentos, abdominais, elípticos, etc.

Alguns exercício medidos pelo Gear Sport

Por contar com um GPS embutido, o smartwatch consegue monitorar a localização das corridas. Isso é interessante, pois ajuda a ter mais precisão sobre distância percorrida e até o cálculo de calorias gastas durante a atividade.

Um recurso que pessoalmente gostei foi o monitoramento do sono. Antes disso, vale só ressaltar que ao deitar na cama, eu ficava bem bravo com o relógio, pois a cada movimento ele acendia a tela. Só após um tempo, me lembrei de habilitar o modo Não Perturbe (como o presente em smartphones), que tornava a tela toda escura. 

Voltando ao monitoramento, acho bacana, que ele mostra o tempo total de sono, o tempo que você ficou imóvel e até as calorias queimadas durante a atividade.

Outro recurso interessante é que o Gear Sport é à prova d’água. Então, não tem problema se molhar ou tomar banho com ele. Os praticantes de natação também poderão usar o relógio para medir as atividades. A única limitação é que não pode afundar mais de 50 metros e é recomendável desativar o touch da tela ao praticar essa atividade.

Conclusão

Como todo smartwatch, penso que Gear Sport ainda é um aparelho de nicho. Por R$ 1.899 (no varejo, você encontra por R$ 1.250) — o preço de um smartphone de gama intermediária — o acessório tem seu apelo para praticantes frequentes de atividade física.

A configuração de modo geral é fácil, só complicando com as vezes em que é necessário teclar na tela do relógio — seria tudo muito mais fácil se a configuração de alguns apps fosse feita totalmente pelo smartphone. Além disso, tem a questão dos apps. A Samsung monitora quase todas as atividades, mas se você usar alguma opção de app muito específica, talvez não tenha para o sistema Tizen.

Para quem se interessar, a boa notícia é que a Samsung está comprometida com essa categoria, diferente, por exemplo, da Motorola, que deixou smartwatches de lado e não lança novos produtos há um tempo. Então, além da garantia de ter um produto interessante para quem pratica esporte, o comprador deve contar com atualizações com correções de bugs e melhorias.

No fim das contas, o Gear Sport tem um público específico pelo que ele oferece e pelo seu preço. Não acho que esse deva ser o aparelho para quem quer entrar nesse mundo. Para isso, existem outras opções — a própria Samsung tem a Gear Fit, e tem de outros concorrentes como os monitores de atividade da Garmin e da Polar — todos custando menos de R$ 1.000 (em alguns casos muito menos).




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