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Saúde

O vírus zika foi a pior história relacionada à saúde em 2016. No centro dessa história, estava a dolorosa ligação do vírus com bebês microcefálicos, ao infectar as mães durante a gravidez. Porém, às vezes, mesmo os piores vetores podem ser usados para o bem.

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Uma equipe de pesquisadores nos Estados Unidos descobriu que o vírus zika preferiu matar células estaminais do glioblastoma — as que levam ao câncer cerebral glioblastoma — em vez de células cerebrais normais em ratos. Ratos com zika injetado em seus glioblastomas pareceram sobreviver por mais tempo do que aqueles sem o vírus. Embora ratos não sejam humanos, os pesquisadores acreditam ter descoberto uma nova opção de tratamento em potencial que vale o investimento.

“Estirpes [de zika] modificadas geneticamente que otimizam a segurança podem ter eficácia terapêutica para pacientes adultos com glioblastoma”, escreveram os pesquisadores, em estudo publicado nesta terça-feira (5), no periódico Journal of Experimental Medicine.

Os glioblastomas são tumores cerebrais tipicamente agressivos e malignos que contêm vários tipos de células diferentes, de acordo com a American Brain Tumor Association. O tempo de sobrevivência médio — a quantidade de tempo depois do qual apenas metade dos pacientes sobrevive — para pacientes com glioblastomas é de menos de dois anos. Os pesquisadores por trás do novo estudo apontam que as células normalmente permanecem no sistema nervoso central, e a recorrência tende a acontecer próxima do tumor original. Isso os levou a procurar por uma terapia local que possa ser usada para mirar células específicas — como o vírus zika.

Os pesquisadores começaram injetando o vírus zika em células estaminais de glioblastoma retiradas de pacientes. De forma encorajadora, o vírus pareceu evitar a proliferação das células. O vírus não infectou outras células cerebrais tão eficientemente, de acordo com o estudo. Então, os pesquisadores criaram alguns tipos diferentes de tumores em ratos, injetando os vírus em alguns deles. Todos os ratos não tratados morreram depois de 30 dias em ambos os modelos de tumor (15 ratos em um caso, sete no outro), mas aqueles que receberam as injeções pareceram durar dias, e em alguns casos semanas, a mais.

Embora os resultados soem provocativos, o zika é um dos poucos vírus que os pesquisadores estão buscando para combater glioblastomas, junto com o sarampo, o herpes e a poliomielite. Além disso, esse é um estudo preliminar em cima de um modelo de ratos, então não está claro como o zika pode afetar pacientes humanos. A equipe gostaria de começar testes em humanos dentro de um ou dois anos, de acordo com a BBC.

Por mais preliminares que resultados como esses sejam, eles servem como marcadores importantes para pesquisas futuras. “Nosso trabalho serve como uma fundação para mais estudos mecanicistas e para a engenharia genética de um vírus zika seguro e eficaz, que poderia se tornar uma ferramenta importante em neuro-oncologia”, escreveram os pesquisadores.

[Journal of Experimental Medicine via BBC]

Imagem do topo: AP




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