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Genética

Estudo aponta que genes determinam parte da nossa empatia

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12 de março de 2018 às 16:25

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Há muito tempo cientistas tentam entender os fundamentos da empatia. Ser capaz compartilhar os sentimentos de outra pessoa tem um importante papel nas nossas vidas, como nos comportamos diante dos outros, e a maneira com que a sociedade funciona como um todo. Dominar o poder da empatia, alguns sugerem, poderia contribuir muito para solucionar problemas como racismo e sexismo, e nos ajudar a entender pessoas não neurotípicas. Ao mesmo tempo, um outro espectro do mundo científico se preocupa em como a constante imersão tecnológica dificulta com que as crianças de hoje desenvolvam empatia.

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Nos anos recentes, a ciência avançou muito no aspecto de tornar a empatia em algo tangível. Muito dessa pesquisa veio do campo da neurociência, conforme pesquisadores desvendam a complexa interligação de redes neurais que nos permitem compreender as emoções dos outros, e ressoar com eles de maneira emocional e cognitiva.

“Nós conseguimos atribuir um número em como as diferenças em empatia são associadas a genética”, diz Varun Warrier, um estudante de PhD no Centro de Pesquisa de Autismo de Cambridge e um dos primeiros autores do estudo, ao Gizmodo. “Essencialmente o que descobrimos é que 10% das diferenças de empatia na população são por causa da genética”.

Para investigar o papel dos genes na empatia, os pesquisadores conduziram o que é conhecido como um estudo de associação genômica ampla, analisando os dados genéticos dos 46 mil consumidores da 23andMe. Os pesquisadores também pediram aos participantes do estudo para preencher um questionário conhecido como Quociente de Empatia, geralmente utilizado para medir tanto a empatia cognitiva (a habilidade reconhecer as ideias e sentimentos de alguém) quanto empatia afetiva (a habilidade de responder apropriadamente a essas ideias e sentimentos). É o maior estudo genético de empatia da história.

A pesquisa é entusiasmante porque confirma que parece existir uma ligação genética com a empatia, conforme estudos anteriores do comportamento de gêmeos sugeriu – ele descobriu que pessoas mais empáticas possuem certos genes em comum, mas o estudo não era grande o bastante para determinar quais genes eram estes. E apesar de qualquer entendimento de como os nossos genes contribuem para a empatia ser importante, ele descobriu que seu papel era pequeno.

O estudo também confirmou que mulheres são em média mais empáticas que homens, mas essa diferença não parecia ser genética. Em vez disso, sugere Warrior, essa diferença tenha algo a ver com a forma com que gêneros são socializados, ou até mesmo fatores biológicos, como hormônios.

A terceira importante descoberta do estudo foi que as variações genéticas associadas com baixa empatia também estão associadas com um maior risco de autismo. Warrier está mais animado com essa descoberta.

“Pessoas autistas possuem dificuldades com interações sociais. Essa é um dos critérios definidores para alguém diagnosticado com autismo. E estamos tentando descobrir o motivo”, ele disse.

“Isso pode ser útil pois podemos ter os genes priorizados para a investigação do autismo, mas também poderemos entender como pessoas autistas são diferentes umas das outras”, ele diz.

Warrier explica que estudos maiores são necessários para validar estas descobertas e iniciar o entendimento do papel exato que os genes têm na empatia. Por anos antes da ciência moderna começar a mostrar a importância da alimentação e do ambiente em que se vive, muitas pessoas acreditavam que a empatia era um traço de nascença. Warrier alerta para não comparar o resultado deste estudo como confirmação deste pensamento antiquado. Essa pesquisa, ele diz, apenas mostra que os genes possuem um pequeno papel em nossa habilidade de mostrarmos empatia. Outros fatores tanto biológicos como ambientais influenciam na maioria de variações empáticas das pessoas.

“Estas coisas são extremamente complexas”, diz Warrier. “Cada variante explica apenas uma proporção minúscula da diferença em empatia”.




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